terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Grupo opositor de cuba denuncia 9 mil prisões !



  Havana, 5 jan (EFE).- A dissidente Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) disse nesta segunda-feira que em 2014 ocorreram 8.899 detenções arbitrárias por motivos políticos na ilha, cerca de 2,5 mil a mais que no ano anterior.

  Segundo o relatório da comissão divulgado nesta segunda-feira, em dezembro ocorreram 489 detenções, 100 a mais que em novembro, um mês no qual foi realizado o Dia dos Direitos Humanos com mais de 230 detenções, "algumas com violência", além das 70 detenções por 30 dias por conta de uma "performance" convocada pelo artista Tania Bruguera.

  Tania pretendia instalar neste dia, na emblemática Praça da Revolução, uma "tribuna pública" para que os cubanos expressassem seus desejos para o futuro do país, após o anúncio do restabelecimento das relações com os Estados Unidos em 17 de dezembro.

  Segundo os dados do grupo, as autoridades cubanas detiveram um total de 59 pessoas por dia, quando "assistiam ou pretendiam assistir" ao ato para "exercer seu direito à livre expressão".

  Entre estes detidos, alguns dos quais ficaram até 72 horas na prisão, destaca-se a própria Tania Bruguera, o jornalista independente Reinaldo Escobar, Antonio González Rodiles, promotor de um projeto de debate crítico chamado "Estado de SATS", e o opositor do "Grupo dos 75" Ángel Moya.

  Além disso, nesse mesmo dia as autoridades mantiveram detidos, sem poder sair do domicílio, outros 11 opositores, entre os quais figura a blogueira e diretora do jornal digital independente 14ymedios, Yoani Sánchez.

  A CCDHRN, liderada pelo opositor Elizardo Sánchez, também se referiu ao "feito positivo" do anúncio do restabelecimento de relações entre Cuba e Estados Unidos, mas ressaltou que "a situação de direitos civis e políticos" na ilha "continua sendo a pior em todo o hemisfério ocidental".

  "A CCDHRN não espera mudanças significativas, a curto prazo, nessa situação tão desfavorável e com essas credenciais o regime dos Castro se prepara para participar da Cúpula das Américas dentro de cerca de três meses", afirmaram em comunicado divulgado nesta segunda-feira.

  A organização denúncia que em dezembro aumentaram também as vítimas de "agressões físicas, ações de vandalismo e de fustigação e atos de repúdio", além de ocorrer três novas detenções por motivos políticos, as de Danilo Maldonado, Sonia González e Marcelino Abreu.

  A comissão se referiu, além disso, ao compromisso de Cuba, fruto do acordo com os Estados Unidos, de libertar aproximadamente 50 presos por motivos políticos, embora "até o momento não tenha informado sobre nenhuma libertação".

  A CCDHRN é o único grupo na ilha que registra e divulga os números desses incidentes em Cuba, cujo governo considera os dissidentes "contrarrevolucionários" e "mercenários" a serviço dos Estados Unidos.

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